domingo, 5 de maio de 2013

Adiós hermanos... Dias de fúria

Depois de conhecer os encantos da Bolívia, conhecemos os desencantos! Saímos do Uyuni as 5h da manhã. Tive a maravilhosa idéia de pedir ao Mike que limpasse o vidro do carro. Na hora que ele jogou água e passou o limpador... Criamos uma bela capa de gelo no vidro que não nos deixava enxergar nada! Dai, mais espertos ainda, fomos tirar o gelo do vidro. Paninho não funcionou, bucha também não. Há então passa a parte verde da bucha! Que ótimo conseguimos arranhar bastante o vidro. E quando o sol nasceu e refletiu no vidro... Que beleza! Visibilidade fantástica.
Saindo de Uyuni começamos a nos informar sobre a situação das estradas, se não havia nenhum prostesto e/ou bloqueio. O primeiro guarda disse que a cidade de Sucri estava sitiada por um bloqueio feito por caminhoneiros, ninguém entra e ninguém sai!  Porém as demais informações eram de que estava tudo bem e decidimos arriscar. Chegando lá a estrada estava mesmo bloqueada! Seguimos um carro que disse que ia pegar um caminho alternativo, uma estrada de terra pedreira, estreita, cheia de curvas, descidas e subidas íngremes rodeada por um barranco e no meio o leito de um rio quase seco. Eu como um gato, colei no assento e rezei. Mas Mike é muito bom motorista e conseguimos chegar a cidade. Em Sucri nos informamos e nos disseram que havia uma outra estrada para sair da cidade e chegar ao asfalto onde ainda não havia bloqueio. Lá fomos nós, mesma história.... Porém, havia uma pedra no caminho... Chegando ao asfalto o bloqueio já tinha aumentado e fechado a estrada com os caminhões. Ficamos das 11h as 17h presos no meio do bloqueio, o que não foi nada agradável! Depois de várias tentativas de sair dali, tivemos a idéia de construir nosso próprio caminho. Depois de enchermos um buraco com pedras para o carro poder passar pelo caminhão ao lado da estrada conseguimos chegar a uma saída de terra depois de horas de stress e apreensão.
A estrada de terra era péssima, mas melhor que ficar onde estávamos. Dai Deus, sempre grande e bondoso nos enviou anjos. Encontramos uma caminhonete e fomos pedir informações, era uma família que ia por um caminho alternativo para Santa Cruz, nosso destino também. Seguimos a caminhonete por uma estrada que nunca conseguiríamos encontrar sozinhos, passamos partes do leito do rio seco, outras partes nem tão secas assim, fomos guinchados pela caminhonete em um trecho que sem ela ficaríamos estancados. Depois de cinco horas dirigindo nessas condições chegamos a uma vilarejo melhor e decidimos dormir lá, já que ainda faltavam 6 horas de estrada de terra e já eram 11 da noite depois de um dia comprido e cansativo. Com um pouco de pesar dissemos adeus aos nossos anjos, já que acho que eles também estavam achando bom a nossa companhia naquela estrada, mas não tínhamos condição de continuar.
No dia seguinte, descansados e felizes, seguimos viagem ainda por estrada de terra até quase Santa Cruz. Mais relaxados curtimos a paisagem das montanhas, linda! Chegamos a Santa Cruz as 17h mais ou menos. A segunda maior cidade do país, região rica, bem diferente da região de La Paz, pelos povoados que passamos ao nos aproximar já podíamos claramente perceber isso. Íamos dormir ai, mas decidimos nos esforçar e ir um pouco mais a frente para evitar o trânsito da grande cidade, pois nestes casos a gente perde muito tempo perdido até achar um hostal e tal... 3 horas depois chegamos a San José de Chiquitos e escolhemos uma pousadinha que parecia razoável. Combinei com o Mike de dizermos que estávamos entrando na Bolívia ao invés de saindo, para evitar de alguém querer plantar drogas no carro para atravessar a fronteira. Assim fizemos e contamos toda a lorota para o dono da pousada, que quiz saber de onde vínhamos com o carro naquela situação, pense em um carro sujo! E não ia colar mesmo! O carro cheio de adesivos de vários países e tal. Para completar colocamos todas as bagagens no quarto, mas por que queríamos conferir se estava tudo certo. Atitude suspeita. Depois de 15 minutos que desligamos a luz do quarto batem na porta, tres policiais com metralhadoras! O dono do hostal chamou a polícia para checar nossa situação. Susto do caramba! Depois dos documentos apresentados, situação bem explicada eles foram embora.  Foram dias que não comemos nem o pão que o diabo amassou, mas ficou para a história. Amanhã Brasil! Não vejo a hora...











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